Vacas no período de transição: 4 cuidados essenciais

O período de transição é uma das etapas mais desafiadoras para a vaca, é nesta fase que ela passa por alterações fisiológicas e metabólicas a fim de se preparar para uma futura lactação.

O período de transição, período este que compreende as três semanas antes e as três semana após o parto, é uma das etapas mais desafiadoras para a vaca, é nesta fase que ela passa por alterações fisiológicas e metabólicas a fim de se preparar para uma futura lactação. A ocorrência de enfermidades neste intervalo tem grande impacto econômico para o produtor, pois acarreta uma série de problemas como um menor pico de lactação e consequentemente menor produção durante a lactação, descarte de leite, custos com medicamentos, diminuição do desempenho reprodutivo e maior taxa de descarte no rebanho.

Sabe-se que o sucesso ou insucesso do animal nesta fase está associado a diversos fatores como estresse térmico, problemas de sanidade, dietas mal formuladas, superlotação de animais, entre outros. Para minimizar o impacto negativo de desordens no período de transição faz-se necessário adotar medidas de controle e prevenção.

Mas quais são os principais cuidados que devo ter com os meus animais no período de transição?


1. Adoção de dietas aniônicas e medição do PH urinário

Com a proximidade do parto, em função da produção de colostro, processo do parto e desencadeamento da lactação, a vaca tem um aumento significativo na demanda de cálcio. O uso da dieta aniônica visa controlar de forma eficiente os casos de hipocalcemia subclínica. Esta prática consiste no fornecimento de sais aniônicos com base em sulfatos e cloretos.

Porém é importante monitorar a sua eficiência por meio do pH urinário, que deve ser mensurado nas vacas que estão ingerindo a dieta aniônica a pelo menos 5 dias. O grau de acidificação da dieta é relacionado ao pH da urina e, em geral, os valores devem se situar entre 6,0 e 7,0 para vacas da raça Holandesa e entre 5,5 e 6,5 para vacas da raça Jersey.

Quando os valores médios de pH urinário encontram-se ao redor do limite máximo, isto indica que a acidificação não está adequada e uma causa comum para isso é a alta quantidade de potássio na dieta. Por outro lado, quando os valores médios de pH da urina encontram-se próximos do limite inferior, isto demonstra uma superacidificação da dieta, que usualmente é acompanhada por redução do consumo pelos animais (Moreira, T. 2013).

Avaliação do pH da Urina


2. Atenção ao escore de condição corporal (ECC)

A avaliação de condição corporal é feita utilizando uma escala de 1 a 5, sendo 1 a vaca mais magra e 5 a mais gorda. O ECC considerado ótimo para a vaca parir é de 3,5.

Vacas com condição corporal acima de 4, muito gordas, tem maior predisposição a cetose, retenção de placenta e deslocamento de abomaso pois após o parto diminuem o seu consumo alimentar e entram no que chamamos de balanço energético negativo. Nesta condição a vaca precisa mobilizar suas reservas adiposas para utilizar a gordura armazenada como fonte de energia o que leva à ocorrência dos distúrbios metabólicos citados acima.

Vaca com escore corporal 4.


3. Condições de conforto e bem estar

Vacas também gostam de sombra e água fresca. Não importa o sistema de produção, pasto ou confinamento, devemos sempre oferecer para as vacas de transição um ambiente limpo, seco, sombreado e com disponibilidade de água limpa. Deve-se evitar a superlotação de lotes, mudanças frequente de ambiente e camas mal dimensionadas.

Vacas que estão desconfortáveis e em situação de estresse irão ter uma redução do consumo de matéria seca, irão ruminar menos e desta forma, estarão mais propensas a doenças metabólicas e redução da produtividade.


4. Uso de informações de sistemas de monitoramento (coleiras)

A utilização de ferramentas como a CowMed, que monitoram a ruminação e atividade dos animais tem se tornado cada vez mais presente nas fazendas do Brasil. Estas ferramentas, utilizam sensores que identificam o comportamento dos animais e geram alertas de cio, problemas de saúde e desajustes na dieta.

A ruminação é um parâmetro bastante sensível, em condições de estresse e desconforto os animais apresentam diminuição ou instabilidade no seu tempo de ruminação. Durante a transição, o ideal é que a vaca apresente um comportamento estável, sem, ou com o mínimo de alterações nos parâmetros de ruminação e atividade (gráfico 1).


Gráfico 1 - Vaca com estabilidade na ruminação (Software CowMed)


Por outro lado, animais que passam por constantes desafios durante o seu período de transição são mais suscetíveis a desenvolver doenças após o parto (gráfico 2). Quando isso acontece, é necessário redobrar a atenção, pois são grandes as chances desta vaca apresentar uma transição difícil. Dentre as várias enfermidades que atingem os animais após o parto, destacam-se, retenção de placenta, metrite, hipocalcemia e deslocamento de abomaso.



Gráfico 2 - Vaca com transição difícil, instabilidade na ruminação no pré-parto, e Metrite no pós-parto. (Software CowMed)


Considerações finais

Apesar da importância, os cuidados com os animais no período de transição ainda são pouco utilizados. Medidas simples como estas ajudarão a garantia do pico de lactação dentro das potencialidades genéticas do animal, melhorar as taxas reprodutivas e o diagnosticar precocemente os riscos de enfermidades no pós-parto.


Autora: Francine Facco, Zootecnista